sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Positivo!!! E agora?

Crédito: Blog da Grávida

Não, eu não estou grávida. Óbvio. Mas lembrei que nunca falei sobre isso aqui no blog e resolvi abordar o assunto. Ainda mais porque a minha gravidez não seguiu o tradicional "antes do bebê", que é igual a namoro, noivado e casamento. Eu engravidei depois de mais ou menos três meses de namoro e foi por burrice mesmo.    Besteiras de lado...o que fazer ou como se preparar para o positivo?

Na verdade, não tenho a resposta. Eu mesma não estava preparada para o exame de sangue. Aliás, pra ser sincera, quando eu fui ao pronto socorro, eu achei que estava com infecção urinária e não grávida. Para resumir o desespero pré-exame: meu tio Vitché, dono do centro que eu vou, me chamou de lado e me passou o maior discurso dizendo que eu estava grávida. Eu,claro, achei que ele estava maluco, mas fiquei com medo quando ele me mandou fazer o exame. Não fiz. Não naquela semana.

Uma semana depois eu fui ao cabeleireiro, mudei a cor do cabelo e fiquei feliz da vida. No dia seguinte notei que minha menstruação estava mais de uma semana atrasada. Até aí, sem stress...isso acontecia mesmo vez ou outra. Uma amiga recomendou que eu fizesse aquele teste de farmácia e no meio do dia eu comprei e fiz o CONFIRME. Meu resultado foi positivo, mas eu não acreditei. Como não era o primeiro xixi do dia a listrinha do positivo foi literalmente transparente. Mas ela estava lá, só eu não quis ver. Uns dias depois, sentindo cólicas horrendas, resolvi ir ao pronto socorro: tinha certeza de que estava com infecção urinária ou coisa parecida. Fiz os exames normais e mais o HCG, a pedido do médico já que eu disse para ele que não poderia estar grávida. Depois de um chá de cadeira de hoooooras, eis o seguinte diálogo:

- Tatiana, uma boa notícia: você não está com infecção urinária.
- Ah, que bom. Então o que é?
- O que você faria se eu dissesse que você está grávida?
- Pediria o telefone de um bom cardiologista, porque meu pai vai precisar.
(médico pensando)
- Doutor, o que está acontecendo?
- Estou aqui pensando se conheço um bom cardiologista...

Sério...parece diálogo de filme, mas foi assim mesmo. Depois da frase fatídica, ele me explicou que o HCG de uma não grávida é menos de 10 no corpo e o meu estava em 2 mil e tanto. Eu, sinceramente, não sei o que eu estava pensando naquela hora. Não pensei em ninguém, não pensei em qualquer coisa. Acho que, literalmente, bateu um vazio. O chão não abriu, não quis que o mundo acabasse e nem o céu ficou cinza. Mas eu percebi que a minha vida, daquele segundo em diante, não seria mais a mesma. Eu não seria mais a mesma, as pessoas ao meu redor não seriam mais as mesmas.

O que fazer numa situação dessas pra mim nunca foi mistério. Ter o bebê,claro. Mas o que fazer até ele chegar era algo a se pensar e a se saber fazer. Sou contra o aborto (não totalmente, acho que em casos de estupro é algo a se pensar) e acho que se eu soube fazer o bebê, sou capaz de cuidar. E a vida seria vivida em torno dessa nova vidinha.

Passou o tempo, Madu nasceu e hoje posso dizer que não me arrependo um segundo sequer da minha decisão. É complicado? É. Tem horas que quero sumir? Tem. Tem horas que quero que a Madu vire uma boneca e fique quieta? Tem. Eu mudaria meu pensamento e teria interrompido a gravidez? Nunca e jamais.

Para todas que passaram por isso ou estão passando, minha força para cada uma de vocês e meu reconhecimento do esforço que é ser mãe solteira em um mundo que, ainda que se diga tão moderno, é tão machista quanto o mundo de nossos avós. E bola para frente, mamães...somos guerreiras e conseguimos o mundo!

11 comentários:

Isabela Bonfim disse...

Tati, não acredito q foi essa a conversa com o médico, parece coisa de filme mesmo... Se me permite Perguntar: como foi a reação do resto da familia, seus pAis, o pai da
Madu?? Desculpe a indiscrição, mas fiquei curiosa... Bjao

Nai disse...

Olha, deve ter sido um susto e tanto... acho que pediria um cardiologista pra mim,rssss

Minha irmã foi mãe solteira DUAS vezes, tem noção do que é isso?!É difícil, porque por mais que a mãe tenha condições de sustentar, por mais que o pai ajude, os homens ficam com medo de assumir uma responsabilidade dessas...

O mais bacana foi que ela conheceu o meu cunhado e ele disse que casava com ela e assumiria quantos filhos ela tivesse!!! Esse ano fazem 12 anos de casados e ainda rimos dessa história.

Bjão

Viviane Tassi Brabos disse...

Tati, no seu caso foi muito diferente né. Vc conhecia seu namorado a pouco tempo, não tinha planejado nada, puro descuido.
Mas quando a coisa é programada, esperada, vale a pena. Só me arrependo por ter tido o Theo tão tarde.
No meu caso o que eu esperei mais foi atenção do pai dele, queria que ele se sentisse como eu me senti, mas para o homem é mais complicado se sentir pai sem o bebê no colo.
Meu marido ficou meio louco coitado, trabalhava sem limite, talvez pra poder suprir as necessidades de um bebê. Nem é tanto gasto assim, pelo menos comigo, com o Theo foi tudo tranquilo.
Hoje ele se sente mais pai que a três anos atrás quando nosso filho nasceu.

Bjo

Mabby disse...

Oi Tati!
Nossa! Eu imagino a sua cara quando o médico falou do cardiologista! Falando sério: sempre morri de medo de uma coisa dessas acontecer comigo, juro! Acho que se fosse comigo, pediria um cardiologista pra mim também... fato!
Mas que bom que tudo deu certo e sua filhota está aí linda e com saúde!
Eu não me vejo numa situação dessas, mas com certeza o aborto também não passaria pela minha cabeça!!!
Um beijo e ótimo post de alerta!

Natalia Nadais disse...

Nossa, é tão engraçado mais eu lembro de tudo, lembro quando vc me contou que achava que estava gravida, e o nosso desespero pq vc tinha acabado de pintar o cabelo, lembro do seu choro quando veio me contar que agora era fato, lembro de vc dormindo lá em casa e eu preocupada pq a gente estava dentro de um onibus lotado, de vc contando toda a história para a minha mãe e lembro das milhões de batatas que comemos durante a gravidez... Tati, para pra pensar, foi um terremoto aquele momento em sua vida, mais hoje é tão recompensador saber que vc tem essa bonequinha ao seu lado sempre.. e também a mulher que vc se tornou.. nem preciso comentar....

martinha disse...

Caracas que situação ein Tati? Mas que bom que tudo passou e vc tomou as rédias da situação... eu tenho pensando ultimamente muito ems er mãe, irá fazer 02 anos que eu estou casada, mas tenho medo de não conseguir arcar com os gastos, pois não posso contar muito com o meu marido nessas horas... então acho que continuarei adiando este sonho de ser mão por + algum tempo, vmos ver. Beijão e té++

Dany Bello disse...

Que coisa, nunca passei por isso, mas posso imaginar como é criar, educar uma criança, sendo mãe solteira... Admiro a garra e a coragem de quem passou por isso e aguentou firme!!

Que fato curioso... meu pai tem um conhecido com o nome de Vitché, será que é seu tio?? Pois é um nome muito incomum, não é mesmo?!


Beijos,
www.espacogattena.blogspot.com

Tati disse...

Amiga, a Madu com certeza é um persente mesmo! E vc é tão guerreira e batalhadora que dá super orgulho de ter vc como amiga!! Comc erteza deve ter sido duro, mas a recompensa é infinita com aquela coisinha mais linda, a Boo!
hahaha
beijãooo
Tati

Amanda disse...

Oi passei por uma historia parecida, mas tinha 1 ano e meio de namoro o pai aceitou bem e eu que não queria por medo da familia no inicio. Hoje minha filha tem 1 mes é linda e me arrependo tanto de ter pensado em fazer besteira (ainda bem que não fiz). ah visita meu blog vlw? http://experienciadeumalouca.blogspot.com

Lari disse...

Obrigada por partilhar a história. Tenho uma amiga que engravidou de um cara que ela ficava de vez em quando e hoje está super feliz com o filhote lindo que ela tem.
E realmente o diálogo com o médico parece de filme. Vc devia escrever um roteiro e tentar vender pra Hollywood... rs
Bjus!

Sizií disse...

Linda sua historiia.. Aff perfeita a parte que você fala sobre o tempo e mesmo hoje com todos apesares você viveriia tudo mas não abortaria.. Bom saber que existe pesoas que entendem o valor de uma vida.
Abraços