segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Recomeçar...

Na última vez que eu escrevi, escrevi sobre o luto (seja ele qual fosse). Um dos comentários, o da Isabela, me chamou a atenção e eu não só vou mandar um e-mail para ela quanto resolvi fazer este post sobre recomeço.

Recomeçar é começar de novo. É construir novos sonhos, fazer novos planos, pensar em uma vida diferente daquela que, encaremos os fatos, não existe mais. Reconstruir requer uma força que nem sempre a gente tem. Melhor ainda, nem sempre a gente ACHA que tem a força que REALMENTE tem. Reconstruir exige tempo, exige paciência, exige uma perseverança que dá preguiça só de pensar em ter que conseguir tê-la. Mas é necessário.

Tocar a vida para frente entendendo que a gente pode fraquejar, mas nunca desistir é uma obrigação que a gente tem. Você tomou um fora? Sei que é dolorido. Sei que é difícil. Sei que a gente se sente a última mulher da face da Terra e, pior, a última mulher da face da Terra e o cara NÃO te quer. E a gente precisa viver essa tristeza. Precisa sim chorar litros de lágrima. Precisa xingar toda a raça masculina (ou feminina, se você for homem). Precisa ter um tempo para recolher os pedaços. Mas, Isabela e todo mundo que está lendo esse post, uma hora o seu luto precisa acabar e você precisa seguir em frente.

Engraçado...nesse momento penso naquele cara que disse pra mim semana passada que não está pronto para abrir o coração dele. Acho que está no mesmo momento que a nossa leitora Isabela. E está no mesmo momento que eu estava até pouco tempo atrás. E eu entendo. Entendo ele e a Isabela. E quero que os dois (e todo mundo que vive esse mesmo momento) entendam que para ele passar, a vontade vem em primeiro lugar.

Todo mundo merece (merece,não, DEVE) ser feliz. Todo mundo precisa acreditar que por mais que não tenha dado certo o relacionamento anterior, você precisa ter o coração aberto para o novo. O novo pode ser muito bom. O novo pode ser o curativo que você precisa para ser feliz. O novo pode ser inesperadamente especial, deliciosamente bom. O novo pode ser a tampa da sua panela. E, por mais que a sombra do antigo, do "falecido" ainda esteja viva, ela tende a ficar cada vez menor. Basta a gente querer.

"Querer é poder", diz um velho ditado. E com razão. Quando a gente quer mudar, a gente muda. Não em 24 horas, não em uma semana, mas muda aos poucos...cada dia um pouco mais. Até que... mudamos, amadurecemos, evoluímos. A sombra do antigo já não existe mais e, quando existe, é para lembrar que aquilo só nos fortaleceu e nos fez crescer.

Eu tive um período de luto de quase um ano. Foi bom para mim? Não completamente. Mas também não foi completamente ruim. O período de luto que tive serviu para entender que existe um mundo lá fora e que eu não poderia pagar para o resto da vida o preço de uma escolha que não foi minha. E quando eu resolvi abrir o coração, abri para uma pessoa que está vivenciando seu próprio luto e que, hoje, precisa somente da minha amizade. Isso é ruim? Não necessariamente.

É ruim por uma questão de "timing": o tempo dele está diferente do meu. Meu relógio está pronto para um relacionamento, o dele ainda está buscando esse tempo certo. Estamos condenados ao fracasso? Não acho. Acho que hoje precisamos ser amigos, como ele mesmo disse. Amigos que se divertem, que se confortam, que gostam da companhia um do outro e que se entendem, porque eu já passei pelo que ele passa. E isso não é ruim...posso ser o band-aid dele nesse recomeço. Assim como ele me ajudou a ver que existe vida pós-luto, seja ele de quanto tempo for.

Isabela e todo mundo que está recomeçando: a missão não é fácil, mas necessária. Junte forças para lutar pela sua felicidade. Isso é o que todo mundo merece e pra isso que estamos nessa Terra: ser feliz. Nem que pra isso seja preciso recomeçar mais de mil vezes...

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